Desconstrução e seus níveis

se você nasceuEsse assunto ao mesmo tempo tem muito a ver com o objetivo principal do blog, mas concomitantemente não é só sobre ele. Quando você conhece outro tipo de espiritualidade que não a da maioria das pessoas, você automaticamente é convidado a se desconstruir para que seja possível o processo de entendimento das novas crenças. Esse movimento é tanto uma benção quanto uma maldição (como tudo na vida). É uma grande alegria poder olhar o mundo com outros olhos e ver relações muitas vezes ignoradas socialmente, mas também você passa a sofrer mais pelo mesmo motivo. E quando você se propõe a explorar os vários níveis de desconstrução, a espiritualidade passa a dialogar com questões sociais, filosóficas e etc que entram diretamente em embate com tudo o que o mundo propõe. Nesse momento você passa a estar à margem ( já escrevi um texto sobre isso e publiquei aqui) e é com muito esforço que você veste uma persona (máscara) para que possa transitar no mundo comum e não ser afetado, nem tão pouco massivamente atacado, por ter se tornado diferente do que é “comum”.

E conforme você vai transpondo os vários níveis de desconstrução, é como se estivesse na carta  de tarot “A torre”. Tudo constantemente está ruindo. Pessoas que antes você admirava passam a te decepcionar, relações tão naturais tonam-se questionáveis (racismo, homofobia, transfobia, gordofobia e tantas outras fobias) e gradualmente você vai caminhando para uma nova consciência da vida. Creio que esse processo está longe de acabar.

Fazendo analogia outra vez com a carta da torre, é muito interessante que no momento de desconstrução você tenha consigo, que esse processo vai te tornar um ser melhor. Porque é só com esse pensamento que você consegue continuar enfrentando a luta diária. E lembrando que para algo novo surgir, é necessário a desconstrução do antigo.

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Solitude, magia e silêncio

Não falemos.
E que as vontades primeiras
permaneçam
gigantescas e disformas
sem caminho nenhum
para o mundo dos homens.
Hilst em Baladas

Hilda Hilst é uma poeta que consegue, de uma forma misteriosa, dialogar com a alma. E o poema acima começa com ordem para a permanência do silêncio, porquê através dele conseguimos, sobretudo, perceber as vontades primarias que subsistem imensas e disformes em nosso interior. Ao ter consciência dessas forças primárias do ser, a poeta pode, em sua escrita, fazer porta para a manifestação dessa potência e dialogar com a nossa essência escondida que também é gigantesca e disforme.

Ao ler esse poema, pude estabelecer alguma similitude ao processo de solitude na bruxaria. Em artigo intitulado A short critique and comment upon magic, Andrew Chumbley fala sobre o processo da magia e inspiração; e como a solitude, mesmo sendo dolorosa em alguns momentos, forja o nosso corpo e mente em um vaso para o ofício. O autor descreve que é por meio desse processo que surgem seus desenhos e sua escrita. É no silêncio da noite que a bruxa conjura seus espíritos e dança em seu círculo e mesmo quando o ritual acontece fisicamente, a sua realização é efetivada em outro plano, quando a alma da bruxa sai do corpo e em voo noturno, dança com o deus de chifres e espíritos. Esse momento, pode acontecer em um instante, deixando somente a sensação da existência ou a reminiscência de algo que aconteceu na noite passada, mas você não lembra ao certo.

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Waterhouse, Magic Circle

E talvez você não recorde da dança noturna, porém se permanecer um segundo em silêncio, antes de acender as velas no ritual, você consiga, instintivamente, saber as palavras certas para dizer e como conduzir a cerimônia. A inspiração da noite e adoração dos antigos. Você oferta o seus atos e palavras, que vistas em outro contexto não fariam sentido, mas no seu interior você sabe que o ritual está feito. Quem sabe você já tenha ido ao Sabá, apenas precisa permanecer em silêncio uns instantes e perminir que as forças interiores emanem livremente, em desordem e orgia.

Nesse momento cabe a você decidir qual será o portal criado para acessar essas forças: um poema, uma dança, uma música ou a simples contemplação de uma vela no seu altar.

A busca na bruxaria, o caldeirão e o Santo Graal

Nesse exato momento estou pensando sobre o que buscamos na bruxaria. Há décadas pessoas se interessam pelo assunto; seja por meio de um filme, literatura ou por qualquer outro motivo, nós buscamos a bruxaria e entramos nesse caminho de eterno aprendizado. Ao pensar em escrever esse texto, eu planejava uma introdução com uma frase marcante do livro Feitiçaria: A tradição renovada (sobre a busca e o Buscador), mas ao folheá-lo me deparo com um algo grifado por mim há algum tempo.

“Para receber a bênção do Caldeirão-Graal, primeiro devemos buscar ter compreensão. Compreensão da natureza da busca – estamos empenhados nisso por um desejo básico de aprender por amor ao conhecimento e à compreensão? Ou buscar o poder do auto engrandecimento? ” (p.148)

O texto continua com um tom moralizante, necessário para a formulação de parâmetros seguidos pelo autor do livro. Porém, esse trecho torna-se muito interessante quando analisado. O caldeirão ocupa um grande lugar no simbolismo da bruxaria moderna e antigas tradições. Com esse utensílio o bruxo é capaz de realizar inúmeros feitos mágicos, evocar deuses e demônios, meditar e fazer o que mais sua imaginação permitir. Quando o autor escreve sobre a primeiro ser necessário buscar a compreensão se quisermos receber as bênçãos, alguns podem interpretar como sendo uma relação de recompensa direta ofertada pelos deuses quando você decide se dedicar à Arte, porém ao meu ver não é bem assim. Somente com a compreensão seus olhos serão abertos para as inúmeras bênçãos existentes no caminho. Não adianta muito ter uma biblioteca com todos os melhores livros, se você não sabe ler.

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The Damsel of the Sanct Grael por Dante Gabriel Rossetti

Assim, a bruxa é capaz de ver através do véu do mundano, o sagrado e transcendental sem ser preciso acender uma única vela. A própria cabeça passa a ser o seu caldeirão, onde as informações são compreendidas e transmutadas na sabedoria que a faz ser capaz de mudar tudo a sua volta. Entendo por “auto engrandecimento” todos os desejos mais básicos ligados à falta de compreensão, que quando alimentados nos fazem permanecer nesse infindável ciclo de anseios a serem obtidos sem que seja possível transpassar um automatismo cego. A compreensão da natureza da busca, torna-se a própria busca, afinal um simples desejo pode se tornar portal para profundo ato de reflexão, não sobre os outros, mas sobre nós mesmos. E a cada passo dado rumo à compreensão desse complexo universo existente em cada ser humano, estamos bebendo do Caldeirão-Graal presente em tantos mitos e lendas.

Poder pessoal

Para quem está iniciando o caminho mágico, com certeza já deve ter se deparado com esse termo. Em todos os treinamentos mágickos, fazem parte inúmeros exercícios que objetivam despertar as habilidades e desenvolver potenciais ainda adormecidos. Porém, mais que conseguir realizar feitiços etc, na prática e com o aprofundamento na arte, observamos que o trabalho com o poder pessoal vai além da “vida mágica”.

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A Sibila de Delfos, por Michelangelo

E qual a importância de tratar desse tema? Poderia estar perguntando o leitor. A resposta é que durante a nossa trajetória de vida, seja ela mágica ou não, às vezes, esquecemos uma das primeiras lições trabalhadas na bruxaria “Conhece-te a Ti mesmo e conhecerás todo o universo e os deuses, porque se o que procuras não achares primeiro dentro de ti mesmo, não acharás em lugar algum”. E o motivo para esse esquecimento é que para conhecer-se a si mesmo é necessário aprofundar esse conhecimento aos longos dos anos, sempre voltando para um tema tido como básico, mas que, ao ser revisitado, não é mais o mesmo. Esses infindáveis ciclos são na verdade, são espirais, nas quais enraizamos a consciência até que ela possa beber do nosso próprio inferno e cresça em galhos frondosos até que eles cheguem aos céus.

Para o desenvolvimento de todas as nossas capacidades é necessário não só uma prática ritualística constante, mesmo que isso ajude e muito em diversas questões como o contato com os deuses e espíritos que nos ensinam, a responsabilidade em celebrar constantemente e reafirmar nosso compromisso para com Eles e com nós mesmos. “Nem só de pão o homem viverá”, nem só de inspiração e espiritualidade também não (risos). Para o desenvolvimento do poder pessoal é preciso estudar não somente bruxaria e magia, é necessário estudar questões filosóficas, sociais, científicas e tudo o que ajude a nos compreender melhor e, se possível, tentar aplicar esses conhecimentos em uma vida prática. Dessa forma você entenderá muito do seu poder e os olhos que antes viam apenas a superfície desvendarão muitas camadas da existência.

Religião e alienação

Há algum tempo alguns posicionamentos, relacionados a espiritualidade, me inquietam e acredito que a partir dessa inquietação podemos procurar possíveis esclarecimentos. Uma delas, ideia de uma espiritualidade que nos salva do que é “mau” no mundo parece ser bem sedutora, e quando falo de mau não estou discorrendo somente a respeito de espíritos ou seres que podem prejudicar os nossos objetivos.

Existe um tipo de “mal” que também parece ser anulado quando alguém é espiritualizado ou, ainda mais, quando se trata de um líder religioso. O “mal” interno, todas aquelas características socialmente não aceitas (por exemplo: ódio, inveja, raiva etc) podem finalmente desaparecer e dar lugar ao amor universal e o sentimento de completa gratidão por tudo o que existe. Sinceramente, acredito que uma pessoa possa alcançar esse estado, porém o que presencio na maioria das vezes são personalidades que encontram na palavra religião, uma espécie de lugar propício para o isolamento social e alienação. Nesse estado, um indivíduo segue, muitas vezes, estudando assuntos relacionados à filosofia da sua própria religião, estabelecendo parâmetros de verdadeiro e falso que não dialogam com a sociedade, passam a ignorar argumentos históricos, sociais e científicos em nome de uma verdade que beira a demência.

E nessas ocasiões a pessoa não consegue mais dialogar sem usar argumentos transcendentais para questões puramente humanas. Passa a ser impossível admitir estar equivocado ou que existem outras verdades além da sua. O julgamento pessoal, ou de um grupo, passa a querer silenciar outros pensamentos, com o simples argumento de “Estou com a razão”. Bem, talvez a solução para não ser uma pessoa assim seja sempre considerar a possibilidade de estar equivocado ou estar disposto a debater e não defender o seu próprio ego.

Lucia (parte 2)

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Mas é preciso que se entenda uma coisa, essa narrativa não é uma fábula, nem ao menos uma história. Lucia está dentro de mim assim como em você, mas naqueles dias ela ainda andava pela terra. A mesma terra verde, com água cristalina e borboletas coloridas, essa beleza era a mais fácil de amar, o verdadeiro exercício de amor e compreensão, que são quase a mesma coisa, era adorar aquela cobra que havia mordido suas presas. Aquela que possuía o estigma do ódio e a maldição para se rastejar. Ela precisava fugir dos olhos e dos sinos que anunciavam a chegada Dele. Enquanto andava, percebeu que ela também era como a serpente e o verme, tão necessária para a vida quanto qualquer outro, mas sabedora de que aquilo não era amável. Ela precisava amar-se antes de todos, necessitava, para salvar-se, criar um exército de si mesma para depois, finalmente batalhar com a mínima gota de água que refletia seu rosto. Talvez essa fosse a dor maior da existência, descobrir que olhar para o espelho é fragmentar todo o ser salvador. E quando não existe a salvação, o que é feito? O ar falta e a náusea. É preciso descobrir um novo lugar onde colocar os pés, para então desfazer-se daquilo que era a salvação e jogar-se na maldição de ser aquilo que ninguém ama, ser o verme, a serpente a aranha que tece silenciosamente uma teia mágica mesmo não sabendo que o faz. Lucia, então percebeu que pertencia àquele grupo, e talvez aqueles animais e insetos também tivessem vindo daquele mar negro primordial, e não falavam a língua dos homens, no silêncio emitiam vibrações sentidas pelos seus iguais. Lucia, minha cara, como eu gostaria de segurar suas mãos e dar um pouco dor amor humano e vagabundo, aquele que salva quem está cansado de procurar um terceiro caminho. Se ao menos Os olhos pudessem amar a sua própria criação… Não, não se ama aqueles que refletem seu próprio mar negro, porque lá há o mistério desconhecido. Ao deitar-se, não queria ser montada por um macho. Desejava insaciavelmente ser completa por ela mesma e assim conhecer os limites do corpo e da existência. E esse tempo para reflexão, não foi dado a ela, porque antes de tudo tinha por obrigação da natureza entregar-se a uma força maior. Mais forte, questionava-se ela, mais forte ele cujo poder está nos braços, ria da quase ironia de fechar os olhos e ver que todo o interior daquela sua casca material era poder pulsante.

Lucia (Parte 1)

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Aquele lugar sem nome estava coberto por algo que ainda não possuía título também, porque esta história tem início antes dos nomes serem proferidos pela primeira vez, onde a linguagem não tinha estabelecido corrente entre as coisas e os sons. Podemos chamar aquilo, na nossa incapacidade de seres nascidos da língua, de mar negro de ar e sangue acre. Nesse lugar existia um ser, sem forma e consciência, mas ainda assim um ser que diferenciava-se do caos porque talvez fosse filha daquela escuridão. Não possuía olhos mas dormia um sono lento e eterno, esperando o momento de vagar por algo distinto. Alguém já parou para imaginar qual o sonho de um ser que nunca acordou? Não se sabe. Talvez mais daquele mar ou um relâmpago de consciência e desejo… tudo é apenas incerteza nessa vida, Ela era a única certeza sentida silenciosamente por aqueles que existiam antes de toda a criação. Se existiu alguém no início, quem criou esse alguém? A criança pergunta e desconcerta o adulto de certezas, ele inventa ou repete alguma verdade anterior. Essa é uma das tentativas de silenciar as perguntas feitas por Ela que ainda não tinha verdades, jazia em mentira e caos.

Ela foi chamada Lucia, depois do último dia e seus olhos abriram-se para o mundo como o conhecemos. Naqueles primeiros dias, tudo a cobria com náusea de uma existência tão cheia e completa, e sem saber como, teve que se defender da própria realidade que a atingia como golpes de socos, porque ela sabia que não pertencia aquele lugar. Lucia adorava a noite, que agora tinha nome de noite porque uma voz tinha dito que assim se chamaria. E enquanto o resto do mundo dormia, Lucia acordava para sua própria inconsciência e mentiras, aquele estado antes do nascimento, e de lá ouvia a sua própria voz nadando em caos pré-existente.

O grande olho nascia e Lucia, sabia disso porque aquele nome “Sol” era apenas uma máscara para o olho daquela voz que disse o nome de tudo. O olho a observava e ela fingia que não sabia porque seria destruída ou expulsa daquele lugar que mal conhecia… (continua)

Sobre raiva e outros sentimentos “condenáveis”

Aprender sobre si mesmo é uma das primeiras tarefas de um bruxo e essa, assim como as outras, é para a vida toda. Vivemos em uma sociedade onde somos estimulados a sermos felizes e alegres em todos os momentos, isso não é novidade para ninguém. O que talvez poucas pessoas pensem é o que essa atitude faz a longo prazo. O que ela esconde e sufoca em nós mesmos.

Somos convidados (forçados) a dar a outra face quando alguém nos agride e nos oprime. Sentindo que se respondermos, estaremos errados e encarnando o vilão que ninguém quer ser. Ás vezes alguém é tão rechaçado que começa a fazer desse cenário um refúgio e passa a acreditar que ser o o oprimido é bem melhor que ser o opressor, porque esse último carrega o peso da decisão do destino dele e o outro. Sinto desapontar um possível leitor, e a mim mesmo, mas não somos 100% nada nessa vida. Cada vez mais a divisão maniqueísta entre bem e mal está caindo por terra, porque os seres humanos chegaram a um estágio onde começa-se a olhar no espelho e saber que está vendo a sua própria face refletida, não um outro ser que tantas vezes foi chamado de vilão, demônio etc.

A moonlight phantasy, 1930 by Hilda Hechle .
A moonlight phantasy, 1930 by Hilda Hechle .

O que acontece se você segue o caminho da cegueira por muito tempo? Você se transforma em um hipócrita sempre criando inimigos e demônios quando na verdade muito daquilo está dentro de você. Essa atitude, imposta pela sociedade sufoca a nossa Sombra, aquilo que está oculto em nós mesmos e que o bruxo é convidado a conhecer de muitas formas diferentes. Porém depois que a bruxa faz dessa sombra a sua aliada, conhecendo e tentando amar (porque ela faz parte do que nos forma) a bruxa usa isso a seu favor, usando a raiva como combustível para mudanças construtivas, o sofrimento como uma forma de identificar partes dela mesma que devem ser trabalhadas e finalmente não se subjugando ao opressor só para ser aceita no conceito de “bem” que ele mesmo criou e que só fortalece padrões que o favorecem.

Poema para Anciã

Aqui eu fui feliz aqui fui terra
aqui fui tudo quanto em mim se encerra
aqui me senti bem aqui o vento veio
aqui gostei de gente e tive mãe
em cada árvore e até em cada folha
aqui enchi o peito e mesmo até desfeito
eu fui aquele que da vida vil se orgulha
Aqui fiquei em tudo aquilo em que passei
um avião um riso uns olhos uma luz
eu fui aqui aquilo tudo até a que me opus.

Bruxaria: religião dos que estão à margem

Do site: http://archive.org/stream/comusillustrated00miltuoft#page/n115/mode/2up
Do site: http://archive.org/stream/comusillustrated00miltuoft#page/n115/mode/2up

Há alguns anos conheci a bruxaria e fiquei maravilhado com a possibilidade de uma religião diferente daquilo que eu havia sido ensinado. A possibilidade de não temer mais um inferno ou, o que era pior para mim, um Deus que julgava e fazia medo assim como a polícia que não pergunta e mata sem saber, defendendo sempre um “bem”. Essa possibilidade de me religar a algo maior, sem as correntes do temor, me encantou e me fez ler cada vez mais para aprender como funcionava aquele universo novo.

Em vários livros eu lia que “bruxaria/Wicca não é uma religião das massas”. De primeiro acreditei que era porque as pessoas daquela religião eram escolhidas para seguirem um caminho muito difícil e árduo. Hoje penso um pouco diferente. Com os recentes debates políticos (casamento homoafetivo, menoridade penal) cada vez mais me vejo do lado dos marginais e das minorias, daqueles que não fazem parte do seleto paraíso proposto por aqueles que um dia decidiram que eles seriam o “bem”.

Sim, a bruxaria é uma religião de poucos. Porque os verdadeiros adeptos roupem diariamente com as correntes que alienam a mente. Não temos um livro sagrado, logo temos que abrir os nossos olhos (todos eles) e observar o mundo a nossa volta (não, cultuar a natureza não é somente acender velas e dizer palavras bonitas). Cultuar A Deusa da vida, ou tantos outros Deuses é seguir o fluxo da vida que está em constante transformação. E isso dói algumas vezes, porque em vários momentos nos sentimos solitários em um mundo onde a opinião do senso comum apresenta tantas incoerências quanto o possível.

A bruxa é marginalizada porque possui o conhecimento daquilo que está ao alcance de todos, ervas, pedras, o próprio ar… e por isso é temida, julgada. Ela transita entre os humanos sem pertencer a esses lugares porque aceitou morder uma maçã de conhecimento que é digerida lentamente ao longo dos séculos. E Ela está ao lado daqueles que não pertencem ao paraíso de paz cândida e imaculada, porque como diz a canção “paz sem voz, não é paz, é medo!”.